QuartoEscrivaninha
13.05.2017

Eu, filha da Maria Luiza

Esta é a parte do blog em que eu, Mônica Luz, vou escrever em primeira pessoa. Vou falar de mim, dar opiniões, tratar de qualquer assunto que me der vontade.

Por isso, para a estreia da minha coluna, no dia de estreia do blog, que não por acaso é dia das mães, pedi para a minha mãe escrever por mim. Como falar de mim sem falar dela?

Meu exemplo de mulher, de mãe e, acima de tudo, de ser humano. Claro, você pode estar pensando que digo isso porque ela é minha mãe. Realmente. Mas não só. Quem a conhece sabe. Quem não a conhece vai poder conhecer um pouquinho agora. A história dela, em muito, se parece com a sua, que está aí do outro lado, com a da sua mãe. Você vai se identificar… E sabe por que? Porque por mais que tenhamos criações, personalidades e histórias diferentes, temos algumas peculiaridades que só nós entendemos, compartilhamos e com as quais nos emocionamos. Sim, #estamosjuntas

É com você, Maria Luiza

“Sou uma mulher privilegiada, consegui gerar quatro filhos. Hoje, esta atitude seria vista por muitos como insensata. Mas não. Eu sentia a necessidade de ser mãe. Menina, moça e mulher, sempre via uma beleza única quando me deparava com uma mulher grávida. Pensava: será que um dia conseguirei ser mãe? Gerar um filho não me dava temor, mas ser mãe…

Consegui gerar, o que é uma condição natural, mas ser mãe não foi fácil. Porque verdade seja dita: mãe é a que cria e nem sempre a que gera.

Tudo começou com uma barriga crescendo e que eu ostentava, me sentindo muito poderosa.

Nasceu meu primeiro filho. Um menino. Ao acabar de nascer, aquele serzinho foi colocado em meus braços e, por instinto, começou a sugar meu seio.

Pensei: e agora? Como faço para ajudá-lo a crescer? Crescer, obviamente, não só no tamanho e peso, e sim em todos os sentidos. Tinha de fazê-lo crescer física, intelectual e espiritualmente. Ajudá-lo a desenvolver os próprios caráter e personalidade.

Veio o medo de errar, de não saber encaminhá-lo, afim de que se tornasse um ser independente e soubesse caminhar por si só. Realmente, acho que o meu primeiro filho foi a minha escola de ser mãe.

Tudo deu tão certo que, um ano e dois meses depois, chegou meu segundo filho, uma menina. Achei que já estava preparada, que já tinha passado por muitas fases neste período. Mas não, no decorrer dos dias, ao chegar em casa da maternidade, veio de novo a pergunta: e agora? São dois, com necessidades bem distintas, crianças totalmente diferentes. Comecei a ter um novo aprendizado.

Na época, eram 40 fraldas para lavar e passar, as roupinhas dos dois, as roupas do marido, minhas pessoais, gerenciar a casa, ser esposa, amante e mãe. Tudo parecia um caos. Noites sem dormir. Quando um chorava, o outro acordava.

Os dias passaram, eles cresceram, se desenvolveram com personalidades próprias, mas muito doces e também muito arteiros. Morávamos no terceiro andar de um prédio, sem elevador. Era comum o vizinho do térreo tocar a campainha para trazer brinquedos ou objetos que jogavam por um pequeno vão da janela. Cresceram lindos, fortes e com muita saúde.

Passaram-se três anos e bateu a vontade de me sentir grávida novamente. Veio, então, o meu terceiro filho, uma menina. Esta gestação foi acompanhada de perto pelos irmãos mais velhos, na época com quatro e três anos.

Precisava ter uma visão muito mais aguçada. Estava começando uma nova história. Aquela menininha tinha de ser recebida em família e seria mais um elemento a disputar o espaço com os filhos maiores. Assim sendo, enquanto estava internada na maternidade, mandava guloseimas pra eles, dizendo que era a irmãzinha nova que os presenteava.

Chegamos em casa e tudo triplicou. Mas, embora pequenos, dava tarefas para eles se sentirem úteis e importantes diante da irmã que começava a aprender.

Cresceram os três, foram para pré-escola. Nova etapa, novas mudanças, novos horários. Começavam a ser independentes por algumas horas, sem mamãe nem papai por perto. Tinham de pôr em prática a vivência dos quatro anos em casa.

Passaram-se seis anos. Tinha um filho com 10, uma filha com 9 e uma com 6 anos. Além de todas as preocupações inerentes, vinham os novos questionamentos. A vida era composta de muitos amigos e eu precisava manter as regras e normas da família. Isto não era fácil, pois conflitava com a vivência atual deles.

Fiquei grávida pela quarta vez. Gestação não esperada, mas que se tornou igualmente desejada. Veio um menino. Mulher agora com 37 anos e já sabedora das ocorrências da vida, que novamente surpreendia. Vinha novamente o questionamento: e agora? Começou um novo aprendizado.

Tudo, porém, parecia mais fácil. Minha vivência de mãe já sabia, por vezes, prever reações dos filhos e tomar atitudes que quase sempre eram corretas, mas sempre questionadas por eles. Com as diferenças de cada um, vinham as polêmicas entre eles, as discussões.

Chegou a adolescência. Cada um com sua própria razão. Cresceram, formaram-se e cada um foi andar com as próprias pernas. Esta família, minha família, é constituída por um biólogo, uma jornalista, uma socióloga e um chef de cozinha. Filhos amados e bem resolvidos, que se amam, se protegem e se preocupam entre si.

Hoje, posso dizer que sou uma mulher plenamente realizada, amo cada um dos meus frutos incondicionalmente e sinto-me muito amada por eles.

A vida que foi planejada por dois seres que se amam continua e voltou a frutificar. Hoje, tenho Luca, Bruna, Gabriel e Filippo, meus netos.”

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